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Será que Antônio Brito é contra o Hospital Regional em Itapetinga?

por Portal Sudoeste em foco
Será que Antônio Brito é contra o Hospital Regional em Itapetinga?


O clamor nas ruas do Médio Sudoeste baiano expõe uma ferida aberta que a política local tenta, a todo custo, enfaixar com discursos oficiais. No epicentro dessa crise está o Hospital Cristo Redentor, principal unidade de saúde de Itapetinga. Gerido pela Fundação José Silveira (FJS), o hospital acumula denúncias estarrecedoras de negligência médica e sucateamento do atendimento. Nos bastidores, contudo, a tragédia na saúde pública esbarra em uma complexa teia de poder, influência familiar e interesses que tentaram barrar a chegada de um novo Hospital Regional para manter o fluxo de verbas concentrado na instituição filantrópica.
O Cordão Umbilical Político e a Guerra contra o Hospital Regional
Para entender a atual situação do Cristo Redentor, é preciso olhar para a capital federal e para o comando da Fundação José Silveira. O deputado federal Antônio Brito, uma das principais vozes da filantropia no Congresso, construiu sua base política e sua trajetória a partir da FJS, instituição hoje comandada por sua esposa, Leila Brito. Na prática, a gestão do único hospital de grande porte de Itapetinga está umbilicalmente ligada ao capital político do parlamentar.
Essa ligação direta explica o longo embate que atrasou o avanço da saúde pública na região. Historicamente, Antônio Brito foi a principal voz contrária à construção de um Hospital Regional 100% público e gerido pelo Governo do Estado. O argumento do deputado em entrevistas e articulações políticas sempre foi o da “ramificação de verbas”: em vez de o Estado gastar tempo e dinheiro erguendo uma nova estrutura do zero, as milionárias emendas parlamentares e os convênios estaduais deveriam ser repassados diretamente para os cofres do Hospital Cristo Redentor, da Fundação José Silveira, para que ele atuasse como o “hospital de base” da região.
O problema é que, na visão da população, essa manobra política serviu para concentrar recursos e poder, mas fracassou miseravelmente em entregar uma saúde de qualidade.
De Cabide de Empregos ao Colapso no Atendimento
Longe dos gabinetes, a realidade de quem cruza as portas do Cristo Redentor é descrita por moradores como um cenário de abandono. Sem uma UTI Neonatal, gestantes com gravidez de risco vivem o desespero de depender da fila da regulação do Estado. Contudo, a indignação popular atingiu o ápice com casos recentes que desafiam o bom senso e a dignidade humana.
O choque tomou conta da cidade após a denúncia de que uma perna amputada de um paciente teria ido parar na lavanderia do hospital por um erro bizarro da equipe de enfermagem, sem que punições exemplares fossem tornadas públicas. Somou-se a isso o calvário de Israel Maia, que, segundo denúncias da comunidade, permaneceu quase 30 dias internado recebendo tratamento para uma meningite que não possuía. O paciente só foi transferido para Salvador após denúncias e manifestações da sociedade e o mesmo desenvolver graves feridas nas costas e apresentar dedos necrosados, um retrato cruel de falhas primárias em cuidados básicos e diagnóstico.
As denúncias que ecoam nos programas de rádio apontam para a raiz do problema: o uso da instituição como moeda de troca. Relatos de dentro da unidade indicam que o hospital funciona como um verdadeiro “cabide de empregos” para aliados políticos. Médicos e profissionais de saúde que tentam exercer a medicina de forma técnica, apontando as falhas estruturais ou indo contra as diretrizes da gestão, relatam sofrer retaliações ou demissões sumárias. O alinhamento à política parece, para muitos, valer mais do que o juramento médico.
A Esperança de um Novo Capítulo
Com o Ministério Público da Bahia (MP-BA) já tendo instaurado procedimentos no passado para investigar mortes na UTI e fechamentos repentinos do pronto-socorro por crises financeiras, a credibilidade do Cristo Redentor encontra-se em seu nível mais baixo.
A resposta para a agonia de Itapetinga e dos municípios vizinhos veio apenas quando o Governo do Estado ignorou a pressão para apenas enviar mais verbas à Fundação José Silveira e assinou, com um investimento de cerca de R$ 120 milhões, a ordem de serviço para a construção do sonhado Hospital Regional de Itapetinga.
Para a população do Sudoeste baiano, a obra representa muito mais do que tijolos e novos leitos. É a promessa de libertar a saúde pública regional de um monopólio gerido nos bastidores da política e devolver o foco para quem realmente importa: o paciente.

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