Depois do “pingadinho”, Wagner chama emenda a município de desperdício
Jaques Wagner já tinha revelado, em reunião com prefeitos da própria base, que via a distribuição de emenda a cada um dos 417 municípios baianos como um “pingadinho”, termo usado por ele para justificar por que concentrou recursos em aliados estratégicos, caso do governador Jerônimo Rodrigues. Na sabatina da TV Aratu, o senador foi além.
Questionado sobre a comparação com Angelo Coronel, que destinou emenda a mais de 400 municípios baianos, o apresentador perguntou de forma direta se Wagner era contra os municípios da Bahia. A resposta começou com uma negativa, mas terminou em outro lugar. Wagner admitiu contrariedade ao que chamou de exagero na destinação de emendas, prática que, segundo ele, deu lastro à corrupção e ao desperdício de dinheiro público.
A frase transforma o que antes soava como estratégia pessoal em posição declarada. Não se trata mais só de escolha sobre onde concentrar recurso, é um julgamento sobre o modelo. Para Wagner, atender grande número de município com emenda deixou de ser prioridade de mandato e virou sinônimo de mau uso do orçamento público.
O próprio Wagner é hoje alvo da nona fase da Operação Compliance Zero, que apura repasse milionário e suspeita de apartamento recebido de ex-sócio do Banco Master em troca de atuação favorável ao banco no Senado. Quando o próprio senador que busca reeleição descreve a chegada de recurso à prefeitura como desperdício, o efeito prático é reforçar o mesmo sentimento que já levou parte da base petista a declarar apoio a Coronel nas últimas semanas: o gestor municipal se vê tratado como detalhe secundário de uma estratégia pensada para outro lugar.
