Nomeação de Rodrigo Hagge na Saúde de Vitória da Conquista Gera Mal-Estar Político em Meio a Crise no Setor
O anúncio do ex-prefeito de Itapetinga, Rodrigo Hagge, como o novo secretário municipal de Saúde de Vitória da Conquista, feito pela prefeita Sheila Lemos, deflagrou um forte mal-estar na base política governista local. Sem histórico de atuação ou vínculo com o município, Hagge assume a pasta mais sensível da administração municipal sob forte desconfiança técnica e política.
Advogado de formação e sem qualquer experiência prévia na área da saúde, a trajetória pública de Rodrigo Hagge restringe-se aos seus dois mandatos como prefeito de Itapetinga. Bastidores políticos apontam que a escolha da prefeita Sheila Lemos atende a um alinhamento político firmado nas eleições de 2026, quando Hagge hipotecou apoio à candidatura de Wagner Alves, marido da prefeita, para a Assembleia Legislativa da Bahia. O acordo, contudo, rende questionamentos, dado a inexpressiva votação que o aliado obteve na cidade natal do ex-prefeito, além dos fracassos eleitorais das candidaturas majoritárias apoiadas por ele, como ACM Neto e Flávio Bolsonaro.
Histórico Administrativo em Itapetinga Sob Questionamento
A contestação à chegada de Hagge ao primeiro escalão da terceira maior cidade da Bahia também resgata a memória de sua gestão em Itapetinga. Críticos apontam que, ao longo de seus oito anos à frente da prefeitura vizinha, o município enfrentou um período de estagnação em infraestrutura e serviços públicos.
Na área da saúde, um dos episódios mais emblemáticos de seu governo foi o fechamento do pronto-socorro do Hospital Cristo Redentor. Adicionalmente, Hagge construiu uma postura de forte antagonismo ao governo estadual, chegando a declarar publicamente que não dependia do Poder Executivo da Bahia nem do governador para gerir o município.
Desafios e Tensão com os Governos Estadual e Federal
A posse de Rodrigo Hagge ocorre em um momento crítico para a rede pública de saúde de Vitória da Conquista. A gestão municipal enfrenta grave desgaste com a categoria médica, que relata atrasos salariais superiores a quatro meses, sob a ameaça iminente de paralisação das atividades. Paralelamente, o município vive a iminência do encerramento do contrato com o Hospital Unimec, o que pode sobrecarregar ainda mais os atendimentos de urgência e emergência na cidade.
O isolamento político de Hagge em relação ao governador Jerônimo Rodrigues e ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva surge como outro ponto de apreensão para os quadros técnicos da saúde municipal. Vitória da Conquista, como polo regional de saúde do Sudoeste baiano, depende diretamente do cofinanciamento e de pactuações com as esferas estadual e federal para a manutenção de leitos, repasses de verbas de média e alta complexidade e expansão de serviços.
O cenário levanta dúvidas na classe política e entre os usuários do SUS sobre a capacidade de um gestor abertamente rompido com os governos estadual e federal conduzir a recuperação do sistema de saúde conquistense em meio a uma das piores crises operacionais dos últimos anos.
