Transparência até demais: O vereador “fuxiqueiro” e a lei do silêncio no Médio Sudoeste
Vivemos tempos em que o eleitorado exige transparência, mas um vereador de um importante município do Médio Sudoeste elevou esse conceito a um patamar inédito. Sem precisar de diários oficiais ou redes sociais, o parlamentar consolidou-se como o maior portal de notícias em tempo real da região usando um método infalível: o bom e velho fuxico. A regra é clara: se você quer que a cidade inteira saiba de um fato antes do almoço, basta sussurrar no ouvido dele com a clássica ressalva: “não conta pra ninguém, viu?”.
O clima na Câmara de Vereadores chegou ao alerta vermelho. Nos bastidores, o presidente da Casa precisou assumir o papel de “agência antiespionagem”, alertando expressamente os colegas de que o dito vereador não é, sob hipótese alguma, de confiança para conversas confidenciais.
Com isso, a dinâmica do poder local mudou. A chegada do parlamentar falastrão às sessões lembra cenas de filmes de faroeste: a porta se abre, o falatório cessa abruptamente e um silêncio sepulcral toma conta do ambiente. Os colegas desenvolveram uma rigorosa etiqueta de sobrevivência ao seu redor, limitando-se a sorrisos nervosos e comentários genéricos sobre o clima, já que qualquer desabafo corre o risco de virar escândalo municipal, quase sempre com alguns “acréscimos criativos”.
No fim das contas, oposição e situação concordam em um ponto: ninguém pode acusar o homem de reter informações. O “vereador fofoqueiro” segue provando que, por lá, o que acontece nos bastidores invariavelmente vai parar na boca do povo. E o melhor de tudo: de graça.
Transparência até demais: O vereador “fuxiqueiro” e a lei do silêncio no Médio Sudoeste
14
