A política de Itapetinga assistiu a um desdobramento inesperado na sessão do dia 1º de abril. O centro das atenções não foi apenas a derrubada final do projeto que instituía a Política Municipal de Fomento à Economia Solidária, mas o posicionamento de uma peça-chave no tabuleiro legislativo: a vereadora Sibele de Rosemberg (PT).
Uma Contradição na Base Programática
O que torna o voto de Sibele de Rosemberg um ponto de intensa discussão é a natureza do projeto em questão. A Economia Solidária, baseada na autogestão, cooperação e na valorização do pequeno produtor, é uma das bandeiras históricas e centrais do Partido dos Trabalhadores (PT).
Ao votar pela manutenção do veto do prefeito Eduardo Hagge, a parlamentar alinhou-se à gestão executiva em detrimento de uma pauta que, teoricamente, compõe o DNA de sua legenda. Essa decisão gerou estranhamento por três motivos principais:
Aprovação Unânime Prévia: A vereadora havia votado a favor do projeto no dia 4 de março, quando a proposta passou com louvor pela Casa.
Incongruência Partidária: Enquanto instâncias estaduais e federais do PT buscam fortalecer o cooperativismo, o voto local seguiu o caminho inverso, barrando o avanço legal da rede de apoio aos produtores.
Alinhamento com o Executivo: O voto consolidou uma adesão à base governista, mesmo em um tema que possui forte apelo social e popular.
Os Reflexos Políticos da Manutenção do Veto
A decisão da bancada, incluindo o voto de Sibele, enterrou uma proposta que visava criar mecanismos formais de inclusão social e geração de renda. Para os defensores da economia solidária na cidade, o recuo do plenário — que em menos de um mês mudou de “apoio total” para “arquivamento total” — revela a força da articulação política do Prefeito Eduardo Hagge sobre o Legislativo.
No caso específico da vereadora petista, o episódio levanta questionamentos entre seus eleitores e setores produtivos: o que teria motivado a mudança de postura em menos de 30 dias?

