Candidatos Focam no Combate às Apostas Online
O discurso contra as “bets” (apostas online) ganhou força nas campanhas eleitorais, impulsionado por pesquisas que mostram a rejeição popular ao endividamento causado por essas plataformas. As casas de apostas, apontadas como responsáveis por retirar bilhões das famílias brasileiras e frequentemente vinculadas a esquemas de lavagem de dinheiro, são citadas por mais de 86% da população como nocivas à sociedade. Com a proximidade do pleito, até o presidente Lula (PT), cujas medidas no atual mandato viabilizaram a regulamentação do setor, defende uma postura mais rígida.
Essa cruzada política levanta acusações de populismo por parte das empresas de apostas, que argumentam que a proibição apenas deslocaria a demanda para o mercado ilegal. Em São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT) trocam farpas sobre a responsabilidade pelo crescimento do setor, que arrecadou bilhões em impostos no seu primeiro ano regulamentado, mas que continua a ser associado à drenagem da renda, especialmente entre as famílias mais vulneráveis.
Entre os principais candidatos, a defesa da proibição ou de restrições severas às “bets” é unânime. Enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) prefere revisar a regulamentação, outros, como Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão), prometem o fim definitivo do serviço, ignorando as complexidades legislativas e a dependência financeira gerada em torno dessas plataformas. O impacto do endividamento nas classes de menor renda tem levado a propostas cada vez mais extremas, que prometem intervir radicalmente no setor, apesar das críticas do mercado.

