Contraste Absurdo: Com mais de R$ 7 milhões em conta, volta às aulas em Itapetinga é marcada por sucateamento e burocracia
O retorno às aulas da rede municipal de ensino nesta segunda-feira(06) traz consigo o mesmo gosto amargo de um paradoxo que a população e os servidores da educação já não aguentam mais engolir. Enquanto os extratos bancários da conta do FUNDEB (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica) do município ostentam um saldo robusto, ultrapassando a marca dos 7 milhões de reais, a realidade do chão da escola é de penúria absoluta.
O desabafo que ecoa nos bastidores da educação resume a paralisia administrativa: “Temos mais de 7 milhões em conta, amanhã retornaremos às aulas e o município não pode comprar uma tomada”.
A pergunta que fica engasgada na garganta de professores, pais e alunos é uma só: vai continuar assim até quando?
Não se trata de falta de recursos, o dinheiro está lá, rendendo na conta. O problema é a incapacidade de gestão ou o engessamento burocrático que impede que a verba chegue onde realmente importa. Ver uma escola retomar as atividades sem estrutura básica para trocar uma tomada, consertar um ventilador ou garantir a manutenção mínima das salas de aula é um desrespeito com os profissionais que dão a vida pelo ensino e com as crianças que precisam de dignidade para aprender.
A comunidade escolar de Itapetinga assiste, de mãos atadas, ao choque entre a “Educação dos números” exibida nos portais de transparência e a “Educação da vida real”, onde falta o básico. O dinheiro público só cumpre sua função social quando se transforma em benefício direto para o cidadão. Guardado no banco enquanto a estrutura física das escolas pede socorro, ele serve apenas como um monumento à ineficiência.
O recesso acabou, as aulas voltaram, mas a indignação da comunidade só aumenta. Itapetinga exige respostas e, acima de tudo, atitude.
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