O Santo das Obras Alheias
Tem candidato que é tipo placa de inauguração com perna. Aparece mais que mosca em churrasco de obra pública.
O homem tem um dom raro: consegue estar em Cairu, Nilo Peçanha, Ituberá e Apuarema e outras cidades circunvizinhas no mesmo dia, desde que tenha trator do Estado trabalhando ou emenda de deputado caindo na conta da prefeitura.
A receita é simples: Governo estadual asfalta 2km → Ele chega, tira foto com o rolo compressor e legenda: “Trouxe o progresso! Compromisso com meu povo! “Deputado estadual ou federal manda emenda pra posto de saúde → Ele corta a fita, abraça o enfermeiro e solta: “Lutei muito por essa conquista!”
Chove e a prefeitura tapa buraco → Lá está ele, de bota emprestada, fiscalizando o serviço que descobriu pelo Instagram da prefeitura.
Em Cairu, dizem que ele inaugurou até a maré alta. Em Nilo Peçanha, já agradeceu por obra que nem saiu do papel. O constrangimento é tanto que prefeito já esconde a chave da cidade quando vê a van dele na entrada.
O curioso é que a caneta dele só assina selfie. Orçamento mesmo, zero. Mas na hora do discurso, o cara fala com tanta convicção que até o cimento acredita que foi ele quem bateu a massa. E o slogan da campanha? “Quem faz, mostra”. Problema é que quem fez foi outro, mas quem mostra é sempre ele.
Moral da história: tem político que não constrói ponte. Constrói só narrativa. E atravessa em cima do trabalho dos outros.
O Santo das Obras Alheias
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