UPA de Itapetinga fecha às portas para Consulta ambulatorial e de rotina (fichas azuis e verdes serão tiradas.)
A partir desta quarta-feira, 20 de maio de 2026, a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) 24h de Itapetinga passará por uma mudança drástica em seu perfil de assistência à população. Conforme um comunicado oficial emitido e assinado pelos médicos plantonistas da unidade, os atendimentos ambulatoriais e de rotina estão suspensos. A partir de agora, a unidade receberá exclusivamente casos de urgência e emergência.
A medida, embora baseada nas diretrizes do Ministério da Saúde, é uma resposta direta e desesperada ao total descaso da Prefeitura Municipal e da Secretaria de Saúde com os profissionais médicos. A categoria enfrenta atrasos salariais crônicos que, no contexto da saúde do município, chegam a até 6 meses sem nenhuma perspectiva de quitação dos honorários.
O estopim da crise e o comunicado médico
No documento divulgado pelos profissionais (datado de 08 de maio de 2026), a equipe relata a angústia diante da falta de pagamento já referente aos meses de fevereiro, março e abril do ano corrente. O texto destaca que os médicos atuam sob regime de contratação de Pessoa Jurídica (PJ), uma modalidade que os deixa sem quaisquer direitos trabalhistas, como férias, 13º salário ou FGTS. Mesmo com esse cenário de insegurança e o “histórico recorrente de inadimplência” por parte da gestão municipal, a equipe manteve suas atividades em dedicação integral.
Entudo, o limite chegou. O comunicado deu um ultimato à prefeitura: caso os honorários não fossem regularizados até o dia 20 de maio de 2026, os médicos passariam a atender apenas o que é compatível com o perfil da UPA. Como a gestão municipal não resolveu o impasse, a restrição entrou em vigor.
O que muda: Fichas Azuis e Verdes
Na prática, a restrição significa que pacientes classificados no acolhimento com fichas azuis (casos não urgentes) e fichas verdes (casos de pouca urgência) não serão mais atendidos pela UPA de Itapetinga e serão redirecionados para a rede de Atenção Básica (Postos de Saúde/PSFs).
Ficha Azul: Destinada a queixas crônicas, renovação de receitas, atestados, resfriados leves e consultas de rotina. É o paciente que pode aguardar atendimento ambulatorial sem nenhum risco.
Ficha Verde: Destinada a problemas menores que necessitam de avaliação médica, mas que não apresentam risco de agravamento imediato ou morte.
Esses dois perfis de pacientes devem, obrigatoriamente, buscar os postos de saúde de seus bairros para o tratamento adequado.
Para que serve uma UPA, afinal?
Apoiados pelas Portarias de Consolidação nº 3/2017, nº 10/2017 e 2.648/2011 do Ministério da Saúde, os médicos da UPA lembram que o verdadeiro papel da unidade é focar em urgências e emergências.
A UPA existe para ser o intermediário entre o posto de saúde e o hospital. Ela deve receber pacientes com quadros agudos e graves, como infartos, derrames (AVC), crises convulsivas, acidentes, fraturas, cortes profundos, febres muito altas e falta de ar severa (fichas amarelas e vermelhas). O objetivo da UPA é estabilizar a vida do paciente e, se necessário, encaminhá-lo a um hospital de referência.
A falha na rede: Por que a UPA atendia rotina antes?
Se a UPA é para urgências, por que sempre atendeu fichas verdes e azuis? A resposta está na falha crônica da rede hospitalar do município. Historicamente, a UPA de Itapetinga tem absorvido essa demanda ambulatorial para suprir a ineficiência de outras instituições que fecharam suas portas para a população.
O Hospital Cristo Redentor, gerido pela Fundação José Silveira, e o Hospital Virgínia Hagge não realizam o atendimento ambulatorial que deveriam, tampouco mantêm “portas abertas” para receber livremente crianças e gestantes que buscam assistência. Com essas recusas constantes, os pacientes em desespero acabavam sobrecarregando a UPA, que, por humanidade, abraçava uma função que não era sua.
Garantia de vida
Apesar da paralisação dos atendimentos de rotina por conta da falta de pagamento, os médicos plantonistas deixam uma garantia à população de Itapetinga: nenhum paciente em situação de urgência ou emergência deixará de ser assistido. A ética profissional será mantida para salvar vidas.
Resta agora à Prefeitura Municipal de Itapetinga e à Secretaria de Saúde resolverem o abismo criado pela própria omissão, pagando os profissionais que sustentam a saúde do município nas costas e reorganizando o fluxo de atendimento que hoje pune tanto os médicos quanto a população.

